domingo, 21 de março de 2010

Água: Sabendo usar não vai faltar!

A Agência Reguladora de Água e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) controla, regula e fiscaliza a qualidade e quantidade das águas nos corpos hídricos do Distrito Federal. Por ser considerada um bem econômico, a água exige monitoramento e ações constantes que visem o seu total aproveitamento e inibam o desperdício. Inúmeros são os fatores que contribuem para a escassez da água. Os mais conhecidos são: a poluição ambiental, a falta de saneamento, o desperdício, a agricultura e a indústria. Juntos, esses fatores podem gerar uma crise de disputas e conflitos em nível mundial.

Assim, tendo em vista os fatores que contribuem de modo significativo para o mau aproveitamento da água, a Revista das Águas entrevistou Juliana Carneiro e Oliveira da Superintendência de Regulação Técnica da Adasa. Na ocasião, Juliana falou sobre os principais
pontos acerca do desperdício de água, inclusive o que está relacionado às perdas entre a estação de tratamento e o consumidor.

Revista das Águas: Em termos quantitativos, quanta água o brasileiro desperdiça?

Juliana: As águas que se perdem nos sistemas de abastecimento de água, que evaporam durante as irrigações e no uso da água em instalações industriais, formam um conjunto que representa a maior ameaça ao abastecimento dos brasileiros. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 40% da água retirada no país é desperdiçada.

Revista das Águas: Com esse desperdício, o que poderia ser feito com a água?

Juliana: A água é dotada de valor econômico. Com o desperdício de água grandes investimentos devem ser feitos para suprir as novas demandas. A água, hoje desperdiçada, poderia servir para o abastecimento de milhões de pessoas que não recebem água tratada, melhorar as condições da agricultura, de forma eficiente, para a produção de alimentos, entre outros, sem a necessidade destes novos investimentos.

Revista das Águas: Fale sobre o desperdício da água nas estações de tratamento até chegar a casa do consumidor. Vazamentos, redes clandestinas, tubulação e canos mal conservados são fatores que contribuem para o desperdício?

Juliana: O desperdício de água começa nas estações de tratamento de água que, sem sofrer a manutenção adequada, desperdiça muita água nas retrolavagens e através das estruturas. As perdas continuam com as redes de distribuição e abastecimento e piora nas residências. Perde m-se entre 40% a 60% da água tratada e injetada na rede em vazamentos ou problemas como ligações clandestinas e roubo de água. Nas residências cerca de 70% da água entregue é desperdiçada em usos como banhos demorados, vazamentos de torneiras e descargas.

Revista das Águas: Quais seriam os meios de combater o desperdício nas estações de
tratamento?

Juliana: Nas estações o combate se daria com uma devida manutenção das estruturas da ETA, substituição de tubulações e adequando o tratamento à qualidade de água bruta. No geral, para o combate ao desperdício de água, a companhia de saneamento poderia adquirir diversos equipamentos, principalmente macro e micro hidrômetros, fazer reformas e limpeza adequada da rede de distribuição, realizar pesquisas e campanhas educativas.

Revista das Águas: Como a Adasa lida com o desperdício de água no DF e quais são as ações para evitar o desperdício de água no DF?

Juliana: Conhecedora dos problemas de escassez de água que já observamos no DF, a redução do desperdício é uma preocupação permanente da Adasa como forma de minimizar este desequilíbrio entre demanda x disponibilidade e, assim, postergar grandes investimentos em novos sistemas provedores de água, que fazem com que a tarifa de água aumente. Uma de suas ações é o incentivo à hidrometração individualizada em condomínios. A medição individualizada de água em condomínio representa um grande avanço nas questões condominiais tanto nos aspectos econômico e social, quanto no ambiental, constituindo-se numa forma inteligente de reduzir o desperdício de água. Dessa forma é possível fazer com que cada cidadão, ao pagar sua conta de água, saiba que está pagando por aquilo que realmente consumiu e não está pagando pelo desperdício de seu vizinho.

Revista das Águas: Como é a classificação do desperdício e quem desperdiça mais?
Desperdício doméstico, industrial, a agricultura (campo e lavoura), a poluição ambiental?

Juliana: A agricultura é responsável pela maior parte do consumo de água. Sendo assim, a agricultura é a campeã do desperdício, com irrigações mal feitas, já que cerca da metade da água utilizada não chega às plantações, perdida em infiltrações no solo e evaporações. Se houvesse uma redução de apenas 16% de desperdício de água na agricultura, haveria uma economia suficiente para atender a praticamente todos os outros setores juntos.

desperdicio

Abaixo, dicas da Adasa para evitar o desperdício de água e garantir a sobrevivência do ser humano:


· Ter plena consciência de que a água é finita;
· Não fazer ligações clandestinas;
· Não fazer mau uso da água;
· Cobrar o controle de emissão de resíduos industriais e doméstico, para que eles sejam
tratados antes de serem dispostos;
· Fiscalizar se o poluidor está pagando pelo lançamento de resíduos nos rios;
· Lembrar sempre que a água desperdiçada custa para o próprio bolso;
· Os proprietários e síndicos de imóveis devem sempre observar se o hidrômetro está funcionando direito, e controlar o consumo geral;
· Utilizar somente a quantidade de água necessária;
· Regar o jardim no verão pela manhã cedo ou a noite, para se evitar a evaporação, e no
inverno dia sim e dia não;
· Evitar banhos prolongados;
· Não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes e ao fazer barba;
· Fechar bem as torneiras;
· Verificar se há vazamentos e chamar um técnico;
· Olhar sempre as condições da caixa d'água, verificando rachaduras e se a bóia está em boas condições. Fazer o mesmo para a cisterna;
· Lavar previamente a louça em uma cuba, e em seguida lavá-las em água corrente, evitando manter a torneira aberta todo o tempo;
· Não varrer a calçada com água. Utilizar a vassoura primeiro, e depois jogar somente a água necessária à lavagem;
· Esperar até ter roupas suficientes para encher a máquina de lavar, e assim proceder a
lavagem. O mesmo vale para a louça;
· Carro não precisa ser lavado diariamente feito gente. Utilizar balde e sabão, evitando manter a mangueira ligada continuamente.

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